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HISTÓRIA

a a História é o discurso burguês por excelência, básico discurso do capital, disciplinamento do tempo como ex-pressão viva do disciplinamento ritualizado das produções.

b – resultante e produtor dos poderes hierárquicos, funcionalizadores dos ritmos corporais: um tipo de corpo cria a História (o corpo-servo-das-cortes, o corpo-servo-dos-mercadores, o corpo-servo-dos-letrados) e a História cria um tipo de corpo (o corpo-trabalhador, o corpo-consumista, o corpo-despolitizado).

c – a função básica da História é criar uma cortina de fumaça, um ofuscamento, sobre a máquina tribal, escondendo q o tempo não é uma dimensão do passado, q nada está no passado, nada aconteceu, q as explorações, q o horror, não está no passado, essa ficção despolitizada, essa zona morta de todas as metafísicas, mas q o horror está, sempre, no imediato: q toda politicidade é uma dimensão imediata de luta, não um rememorar reacionário: nada mais reacionário, doente, adoecedor, ressentido q a memória.

d – a função-missão da História é despolitizar o imediato (único lócus da politicidade), esvaziá-lo de poder, tornando-o apenas o lugar dos fluxos de informação, o lugar das mídias, a resultante esvaziada de um longo chegar q não chega.

e – as imensas e extensas redes temporais q são o passado, estendidas todas antes do imediato, se abrem cada vez mais e mais “longe”, afastando a politicidade de sua ação, o corpo da sua atividade política: a História é essa estratégia de nunca chegar ao agora. no agora, ela gagueja, titubeia, balbucia, se remete à mídia, a opinião, ao senso comum.

f – pra História a única realidade são as cinzas e os historiadores, e todos os produtores e reprodutores das funções estatais do conhecimento, do saber, da beleza, não passam de cães de guarda da máquina tribal e seu bom funcionamento. fora desse protecionismo, nem a História nem nenhuma Ciência, consegue justificar sua existência, ideologia das produções, das despolitizações, dos disciplinamentos. há muito tempo não conseguimos viver fora da História: já somos dóceis demais pra ousar viver fora do tempo, viver contra o tempo.

Alberto Lins Caldas
extraído de Diálogos Entre História e Literatura

Na foto, estátua em homenagem a Getúlio Vargas, localizada em seu memorial no bairro da Glória, Rio de Janeiro. O CMI Brasil disponibiliza um registro em vídeo da intervenção sendo realizada.



MINNIE RIPERTON - PERFECT ANGEL - 1974
http://www.mediafire.com/?h5awxhud2h6sori

4 Comments:

At 17:11, Anonymous Graziele Saraiva said...

Permitam-me algumas colocações:
1-O nariz de palhaço e dizeres estão pra lá de apropriados ao monumento do Getúlio, muito oportuno!
2 - Já quanto as definições de “História”, as vejo um tanto quanto equivocadas. Tais características são típicas da Historiografia Positivista, a qual por longos e escuros tempos nos foi despejada guela abaixo, recheada de seus conteúdos factuais sem contextualização alguma, nos fazendo reproduzi-la de maneira decorativa e alienatória, anestesiando mentes e conformando a população a não pensar criticamente. Usada como artífice das elites dominantes e muito subserviente às Ditaduras Militares.
3 – A História que faz pensar, que nos revolta, que nos ensina não é essa. Seja de cunho marxista, ou até mesmo, construtivista ou realista, mas não esta positivista. Uma História que sacuda, que incomode, que faça com que aprendamos com os erros do passado, que nos permita criticar, pensar alternativas, fazer comparações. Essa não é cinza, é real, mostra o caminho trilhado por nossas sociedades, é viva, colorida e cheia de coisas interessantes, mesmo que contraditórias e desiguais.
4 – Por fim: La HISTORIA para entender el presente... La HISTORIA para evitar "caries en el cerebro"... Una HISTORIA para pensar... Una HISTORIA para conocer nuestra mentalidad...
Forte abraço! http://grazaza.blogspot.com/

 
At 13:53, Anonymous Leandro Pinto said...

Você tem toda razão Graziele...

Lins Caldas é alguém que confunde ciência histórica com aquilo que ele solta na privada.

Alguém que escreve coisas como "viver fora do tempo, viver contra o tempo", se não está delirando num transe de mescalina, certamente deve estar com o cérebro congestionado demais de ódio ao "sistema" para poder pensar racionalmente o que é o tempo.

No fundo, não podemos levar à sério o que dizem certos "intelectuais". Afinal, há tipos que não querem usar a inteligência para aquilo que ela serve: conhecer, mas como reservatório de veleidades e sofismas.

Mas a democracia inevitavelmente leva a isso: os filósofos de verdade versus os retóricos politiqueiros. É o velho confronto entre Sócrates e Protágoras.

 
At 02:30, Anonymous Anonymous said...

por favor se pueden conseguir los libros de Alberto Lins Caldas soy docente de historia y me encantaría leerlo gracias

 
At 14:29, Anonymous Fiume420 said...

http://www.enfrentarohorror.blogspot.com/

http://albertolinscaldas.blogspot.com/


http://www.albertolinscaldas.unir.br/

 

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