MONUMENTALISMO



1. Monumentos funcionam como símbolos concretos de uma memória reconstituída e imposta.

2. O monumentalismo é uma tentativa concreta de deter a proliferação de significados relacionados à interpretação de acontecimentos convulsivos. Os monumentos não são os símbolos de liberdade que muitas vezes aparentam ser, mas exatamente o oposto. São sinais de aprisionamento, sufocando a liberdade de expressão, a liberdade de pensamento e a liberdade de recordar. Como supervisores na prisão panóptica da ideologia, gente demais obedece de forma masoquista a sua exigência de submissão.

3. Em seu manto de silêncio, o monumento pode facilmente reprimir contestações. Para aqueles cujos valores eles representam, os monumentos oferecem um espaço tranquilo por meio da familiaridade e da tradição cínica. No monumento, os cúmplices não são sobrecarregados com a alienação que se origina na diversidade de opiniões, nem com a ansiedade das contradições morais. Estão a salvo da perturbação causada pela reflexão. Os monumentos são as casamatas ideológicas definitivas - as manifestações concretas da mentalidade de fortificação.

Critical Art Ensemble


Na foto, estátua em homenagem ao bandeirante Borba Gato: assassino, estuprador, símbolo da violência e da falta de caráter - como quase todos os bandeirantes. São Paulo é um estado que homenageia e exalta os bandeirantes em estátuas, monumentos, nomes de ruas, avenidas e estradas; em seu próprio hino: "Norte - Sul - Este - Oeste / em 'bandeira' ou 'monção', / doma os índios bravios". O enorme Borba Gato fica na zona sul da capital, entre a Granja Julieta e Santo Amaro, próxima ao Jardim Ângela e ao Capão Redondo. Capataz de arma em punho, genocida, o capitão do mato ainda vivo: sempre de olho no povo pobre. Por tudo isso, quando nos deparamos com um monumento pixado, queimado, mijado, cuspido, depredado ou destruído, entendemos muito bem a motivação de quem o fez, ainda que possa tê-lo feito de forma puramente instintiva.



DR. LONNIE SMITH - RISE UP! - 2009
http://lix.in/-470532

17 Comments:

At 22:32, Anonymous Anonymous said...

Dois textos que se complementam exemplarmente. Seu blog é excelente, e a seção de e-books idem.
Muito obrigado.

 
At 22:34, Anonymous Iza Greff said...

segundo um padre jesuíta (não muito confiável, pois eram contra o apresamento dos índios, preferiam acultura-los e fazê-los trabalhar para deus e tal...), à época, cerca de 11 a 13 mil índios apresados por bandeirantes foram comerciados no intervalo de 4 anos. este número seria apenas o de índios "exportados" de São Paulo por serem o "excedente" (os que não eram utilizados no sistema de produção local.) depois das grandes expedições os bandeirantes, donos de grandes propriedades, com um grande plantel de índios escravos (mais de uma centena em cada propriedade), formaram as bases das 'vilas' como Itu, Sorocaba, Parnaíba...

os "heróis" de São Paulo...

 
At 19:06, Anonymous Leandro Pinto said...

A história da cidade de São Paulo está intrinsecamente ligada aos bandeirantes.

Os monumentos, não por acaso, são chamados de "históricos" para nos fazer entrar em contato com a História.

A interpretação e sentido desta História é outra coisa e outro problema.

Por exemplo, os bandeirantes não eram, como todos sabem, portugueses. A maioria eram brasileiros, e muitos deles mestiços.

Que os monumentos sejam em-si "símbolos de opressão" é uma idéia estúpida e falsa.

Por exemplo, a própria estátua em questão não está simbolozando nem glorificando o aprisionamento de índios, nem o estupro, nem o homicídio, nem a escravidão.

Quem interpreta tal estátua como representação de uma vigilância sobre os pobres, devido a sua posição geográfica, está louco, sofrendo de uma paranóia difusa que só pode ser curada tomando-se vergonha na cara, que é o que falta para esquerdistas.

Se for feita uma pesquisa de quando a estátua foi construída, talvez se descubra que as aglomerações do Jardim Angela e Capão Redondo ainda nem sequer existiam.

Todavia, psicogeograficamente falando, não deixa de ser curioso notar como a disposição territorial entre um bairro e um monumento, sem nexo causal proposital, pode ser interpretada de modo tendencioso pelo sujeito que quer "condenar o sistema", achar "factóides" que comprovem o mal endêmico da sociedade.

A única motivação de quem desfigura ou tenta danificar monumentos públicos é a burrice, a ignorância, a incapacidade de lutar contra aquilo que realmente o impede de ser feliz: o que certamente não é uma mísera representação de uma personalidade histórica.

Sou a favor da preservação dos monumentos, a não sem em casos ostensivos de apologia ao terror. O que não vêm ao caso, quando se trata dos monumentos existentes em São Paulo referentes às bandeiras. Sobretudo um tão inofensivo como este do Borba Gato.

 
At 19:19, Anonymous Mastrique said...

cara, eu sempre leio seu blog e sempre indico para outras pessoas. me permita fazer uma correção: sou morador do jardim são luiz, próximo ao capão redondo e passei a minha vida toda vendo a estátua do borbão. por isso, eu lhe aviso que cometeu uma inversão.

na realidade, a estátua esta de frente para o campo belo e granja julieta e de costas ao jardim ângela, santo amaro e capão redondo.

pode conferir com qualquer um que passe por ali.

abraço

 
At 21:26, Anonymous Fiume420 said...

Tem razão, Mastrique, corrigi o texto. Conheço pouco a Sul da ponte pra lá, achei que ficava na João Dias, não na Santo Amaro. Valeu o toque e a força, irmão.


Leandro, vai tomar no cu.


Obrigado pelo texto e pela consultoria durante o post, Iza.


Agradeço a visita, Anônimo.

 
At 00:06, Anonymous Anonymous said...

Toda memória é uma reconstrução. Do a-monumentalismo não decorreria uma a-memória. E, ainda que isso pudesse ocorrer, a a-memória não significaria liberdade, mas possivelmente a estagnação cultural e a negação da possibilidade de nos redefinirmos infinitamente.
Não são os monumentos que restringem as possibilidades de interpretação do real, mas a passividade daqueles que se colocam frente a eles. Sua destruição seria apenas uma forma de controlar as possibilidades de expressão, uma maneira tirânica e pouco corajosa de enfrentar a manifestação de idéias com as quais não se concorda. A lógica absurda (e perigosa) dessa opinião é a mesma que perpassa ideologias totalitárias (Arquitetura da Destruição!). Seria tão baixo quanto defender o fim deste blog por se discordar de alguma idéia aqui expressa.
O mito bandeirante serviu e ainda serve a um discurso. Mas, obviamente, como observou Leandro, a estátua em questão não exalta as atrocidades cometidas por eles. Tal análise denota o olhar anacrônico daquele que busca ver no passado idéias e valores já consolidados (impostos também?) no presente.
Ingênuo é pensar que a degradação do monumento seria capaz de apagar esse mito. Provavelmente ele também é repetido por alguns dos degradadores intuitivos em comparações mesquinhas contra nordestinos e cariocas...
Vitimizar os índios tampouco expande as possibilidades de interpretação da realidade, pois apenas os coloca exatamente como coadjuvantes da memória, o lado fraco e incapaz da história. Os heróis e as vítimas de SP não são, infelizmente, muito diferentes do que quaisquer outros, possivelmente porque temos nos limitado a destruir e não a criar novas identidades, sem escapar a fórmulas pré-fabricadas.
Jah, protejei-nos das tutelas libertadoras!

VSF

 
At 18:38, Anonymous Anonymous said...

Sou, simplesmente a favor de quebrar tds essas merdas, de desmascarar td essa hipocrisia.

Foi em uma pesquisa, como mencionam a cima, que encontrei a informação de que esse troxa do Borba come Gato, de que ele mesmo foi que mandou fazer a propria estatua e teve um pequeno problema de mao de obra. Logo solucionado por ele mesmo. Mandou prender um monte de operario para finalizar sua estatua. Que homem mais coerente, correto e honesto.

Alem de filho da puta, o Gatao era Narcizista.

Como respeitar um troxa desse?

Se eu tiver a oportunidade, zou essa merda mesmo.

Jarrao

 
At 18:42, Anonymous Anonymous said...

Dr. Lonnie Smith merece um monumento pelo melhor disco de 2009.

 
At 11:43, Anonymous nirso said...

Bom, então, senhor Leandro Pinto, vamos erguer uma estátua de Hitler, pra lembrarmos o quão malvado ele era e refletirmos historicamente os acontecimentos...

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Espero que sua filha(o) case com um(a) esquerdista tão preconcetuoso quanto o direitista que você é. Pelo menos vc iria ter o que fazer da vida....

 
At 19:29, Anonymous Leandro Pinto said...

Nirso, o processo de colonização deste território que chamamos de Brasil ocorreu através de determinadas práticas que, gostemos ou não delas, formaram a nação em que vivemos.

Se em nome de um sentimentalismo barato, de um ressentimento de pessoas frustradas com a realidade brasileira, começarmos a destruir as MARCAS DO PASSADO (monumentos, documentos históricos, arquivos, edifícios, casarões colonias, etc.) estaremos ocultando a inteligibilidade da história do país e impedindo o conhecimento desta história para as novas gerações.

Eu não acredito em nenhum forma de progresso ou evolução através da destruição do passado.

Quem pretendeu apagar o passado e inventar uma "outra história" fictícia, foram os revolucionários comunistas na Espanha, China, Rússia. Nestes países apareceram debéis mentais, como esse tal de Jarrao, que promoviam o quebra-quebra do patrimônio público, colocando fogo em igrejas, instituições, prédios públicos, etc. E claro, além de incendiar e destruir, também não perdiam a oportunidade de matar, torturar e estuprar.

Entenda uma coisa Nirso, quando eu falo de preservação dos monumentos históricos existentes, não é por admiração ou respeito ao que foi feito pelos personagens representados em tais monumentos, mas para ME OPOR ao discurso esquerdista que pretende legitimar a sua ânsia de violência e o seu desejo de vingança doentio.

Todo e qualquer comunista é um filho da puta. Qualquer pessoa que considere Karl Marx e Engels como grandes homens respeitáveis ou é canalha ou é burra.

Eu mesmo, confesso, por quase 10 anos pensei que estes caras eram respeitáveis, mas quando conheci melhor suas idéias, cheias de racismo, ódio, desejo de destruição, ambição de poder, etnocentrismo, determinismo, materialismo, além daquela presunção besta de quem se acha melhor que o resto da espécie humana (na maioria um bando de alienados que acreditam em Deus, segundo a vulgata comunista), cheguei a conclusão que todo o edifício teórico do marxismo, apesar de alguns acertos, é uma fraude. Só engana proletários semi-analfabetos ou calouros universitários.

E que papo furado é esse de "espero que sua filha"...?

Larga de ser viado moleque. Crie vergonha nesta tua cara.

Eu não nasci ontem e não sou anti-comunista por "preconceito", mas porque ESTUDEI O ASSUNTO.

Se liga, mané.

 
At 15:38, Anonymous Anonymous said...

eu até entendo as idéias do Sr Leandro Pinto quando ele diz sobre a preservação da História através dos monumentos gostemos ou não dela. Porém essa posição não faz sentido na realidade em que vivemos, primeiro porque a maioria dos brasileiros não tem conhecimento da sua própria história (e isso não é culpa dos esquerdistas) e a história não deu um passo suficientemente generoso para acreditarmos que os monumentos sejam meras representações da história, sendo que a exploração das ditas minorias ainda perpetuam nos nossos dias. a destruição dos monumentos pode não ser a atitude mais eficiente para a mudança dum quadro, porém ela é explicável como um fenômeno de revolta de uma parcela descontente da sociedade, de um Estado que pouco se importa com seu povo, também o povo pouco se importa com seu Estado, é um fenômeno recíproco de desrespeito e descaso. portanto um monumento depredado acaba sendo muito mais valioso por representar não apenas a história, mas o sentimento que um povo tem em relação a ela no tempo presente, quer você goste ou não. no mais, eu tenho plena convicção de os monumentos representando os bandeirantes são erguidos em homenagem ao progresso desenfreado e selvagem e não a fim de representar a história do modo que o Sr Pinto sugere, ou seja, sem tomar partido. isso não seria possível na nossa sociedade atual

 
At 22:42, Anonymous Anonymous said...

Invasores, assassinos e estupradores.Repugno a idéia de criar monumentos para lembrá-los.
A não ser os canalhas e burros, todos deveriam sentir vergonha desse passado.
paulo torres

 
At 10:14, Anonymous Leandro Pinto said...

Dizer que a maioria dos brasileiros não tem conhecimento da sua própria história é confundir a biografia de cada um com a História do Brasil. Se queremos que as pessoas saibam o que aconteceu no passado, neste país, não obteremos sucesso destruindo as representações simbólicas deste passado.

A diferança entre os bandeirantes do séc. XVII e o lema do marechal Rondon - "morrer se preciso for, matar nunca" - é imensa. Sem falar do trabalho dos irmãos Villas Boas.
Muito coisa mudou no país. Só não vê quem não quer.

Um monumento depredado sem dúvida é um fenômeno explicável. Mas deduzir disso que é mais valioso que um monumento limpo e conservado, é acatar a idéia da violência destruidora como "valor" superior. É concordar com todos os tiranos modernos que defendiam a insurreição violenta como forma de "melhorar o mundo". Idéia que deixou milhões de mortos no séc. passado e que hoje só pode ser defendida por pessoas burras ou inconscientes do que falam.

Agora, dizer que os momumentos às bandeiras foram erguidos para celebrar o progresso é verdade. Mas não só isso. O monumento do Brecheret foi idealizado durante a ditadura Vargas, quando o Estado Novo queria exaltar a História do Brasil com um discurso nacionalista que era, por si, incapaz de estabelecer críticas aos fundamentos da colonização portuguesa. Isso é patriotismo burro, cego, que não quer enxergar o horror da escravidão e do colonialismo. Mas não faz sentido, por discordarmos da ideologia do Estado Novo, pretender destruir monumentos ou considerar que a sua destruição é mais valiosa do que a sua conservação. Pois sem estes monumentos só estaremos ocultando o passado histórico, fingindo que não existiu algo chamado Estado Novo. Mesmo que eu não goste do monumento do Brecheret, não pela forma estética, mas por omitir a brutalidade da colonização, defendo que ele deve ser preservado. Não será pela destruição do que já foi feito que faremos do Brasil um lugar melhor. Incendiar, quebrar, danificar não fará nenhuma diferença positiva.

A questão, Paulo, não é sentir vergonha, mas piedade. Devemos olhar para o passado com misericórdia. Caso contrário, ficaremos com ódio dos alemães por causa de Hitler, com ódio dos portugueses por causa do colonialismo, com ódio dos árabes por causa dos seus crimes, e também com ódio dos zulus, dos chinas, dos astecas, da humanidade inteira (pois não existem povos inocentes). Também acho um erro a maneira como o passado histórico da colonização foi retratado nestes monumentos. É uma omissão do mal. Mais ou menos a mesma coisa que erguer um monumento à Inquisição e não falar das atrocidades cometidas por ela. Mas o colonialismo, com as suas contradições e dilemas, jamais será posto numa perspectiva esclarecedora através da destruição de monumentos feitos depois de mais de cem anos após a independência do pais.

Por fim, Brecheret e todos os artistas que fizeram estes monumentos fazem parte da cultura brasileira. E isso tem muito mais valor do que justificar qualquer depredação.

 
At 11:03, Anonymous Leandro Pinto said...

Não faz sentido querer destruir monumentos porque eles omitem informações e não explicam a História direito, como também não faz sentido queimar ou destruir livros porque foram mal escritos ou contém informações erradas.

O esclarecimento, a cultura, o entendimento não se fará deste modo: destruindo.

Devemos canalizar nossa energia para a criação, a construção, a análise, a investigação, sem querer destruir ou botar fogo em tudo aquilo que julgamos errado.

Se eu considero que tenho o direito de jogar uma bomba na estátua do Borba Gato porque não existe ali uma placa explicando tudo direitinho como foram os trezentos anos do período colonial, eu imediatamente confiro o direito aos outros cidadãos de, reciprocamente, destruir qualquer coisa que eu faça, seja pintura, escultura, romance, poesia, cinema ou arquitetura, sob o pretexto de estar mal feito, mal explicado, omitindo informações, etc.

Se queremos construir uma sociedade fundada em direitos humanos universais, temos que avaliar com cautela quais são os atos que julgamos no direito de fazer. Ao menos, é claro, que não estejamos nem aí para direitos universais, e só interessados em impor nossas vontades. Nesse caso, toda cautela é bobagem e o que impera é o "cada um por si e eu por mim".

O fato é que, por detrás desta retórica imbecil de "a exploração do povo", existem intelectuais irresponsáveis que querem lançar o país na mais truculenta barbárie. Todo intelectual enfermo, padecendo de mentalidade revolucionária, deseja que a desordem, a violência, a destruição, o banho de sangue se transforme na rotina do país. Por isso é que acham que monumentos depredados são "muito mais valiosos" do que se estivessem intactos.

O problema do intelectual revolucionário, este porco suíno gordo e repugnante, é que ele não suporta o fato de o povo ser tão cristão, tão ordeiro, tão manso, tão devotado à família e ao trabalho. O que ele quer, o que ele deseja, é que o povo se revolte, destrua, quebre, mate, incendeie, manifeste todo aquele ódio que ele revolucionário carrega e que ele acha a coisa mais linda do mundo. Assim, desse modo, o pulha, o bosta, o cocozinho de pato, poderá, com toda satisfação do mundo, dizer que os atos de destruição manifestam os sentimentos do povo, quando de fato são os seus sentimentos, que ele, pela propaganda política, inculcou no povo.

Os intelectuais revolucionários são a coisa mais desprezível do mundo. Eu sinto pena dessa gente. No fundo, são doentes mentais. Canalhas, é verdade, e também culpados, mas nem por isso menos doentes e espiritualmente miseráveis. Lembro que depois de um dia inteiro estudando o assunto, fui para a Igreja rezar pela alma dos comunistas. Que Deus os ponha no bom-caminho!

 
At 14:50, Anonymous Anonymous said...

Pelo jeito o sr Leandro Pinto prefere um outro tipo de propaganda política, a propaganda oficial que tem como função fazer com que o povo brasileiro tenha orgulho de ser explorado. ainda acho monumento depredado mais valiozo por representar organicamente a sociedade atual, gostemos ou não, sou a favor de que os excluídos deixem sua marca a vista de todos. o mundo que o Sr Pinto sugere está tão distante quanto o mundo grego de Platão e Sócrates

 
At 01:15, Anonymous Fiume420 said...

http://www.youtube.com/watch?v=58MqDfb5kbk

 
At 03:04, Anonymous Leandro Pinto said...

O filme com locução do Peréio é hilário. No fundo tem que se ironizar mesmo esse tipo de arte. Mas não concordo com a destruição de uma estátua, de um livro ou pintura, pela justificativa que o seu significado ou simbolismo está errado, fora de contexto, etc.

A própria idéia de que a "imoralidade" da arte é coisa que nos dá o direito de eliminar sua existência física me parece feder à censura e autoritarismo. Patrulhamento ideológico, bom para stalinistas de carteirinha.

Fiz um curta-metragem que foi censurado com a alegação de fazer apologia ao crime. E me parece que todos aqueles que defendem a destruição de uma obra de arte, ou sua censura ou depredação, alegando que fazem isso pelo bem de alguma coisa, estão admitindo como princípio que se fulano não gosta do que sicrano desenha, esculpe, compõe, pinta ou escreve, então ele pode quebrar, destruir, mutilar. Esse me parece um raciocínio equivocado.

É muita demagogia barata dizer que os bandeirantes eram opressores do povo coitadinho. Os bandeirantes não eram nobres europeus, mas na maioria mestiços, colonos, gente nascida aqui mesmo nesta terra. Os bandeirantes eram o povão, a ralé, não eram uma classse de privilegiados, mas seus atos, apesar de condenados pela Igreja, jamais foram coibidos pelo Governador Geral da Colônia, ao contrário, os bandeirantes eram usados como mercenários a serviço do Estado, muitas vezes sob o comando de algum militar português.
É comum não colocar em relevo a condição etnico-social dos indivíduos que se integravam nas bandeiras. Se nós dissermos que os bandeirantes eram brancos oprimindo indios e negros estaremos dando uma visão caricatural da História.

De modo geral, ainda prevalecem visões esquemáticas e simplistas da colonização. As pessoas se esquecem que haviam povos indígenas que eram ALIADOS dos portugueses.

A propaganda oficial do Estado Novo, ligada ao DIP, que eu saiba, não foi responsável diretamente pelo convite dado ao Brecheret para se fazer a escultura dos bandeirantes que vemos hoje no Ibirapuera. O estado apoiou a obra, financeiramente eu acho, mas não creio que o Brecheret tenha sido coagido a fazer o monumento dentro de uma concepção estética determinada pelo Estado. Pelo contrário, a obra é modernista e reflete a Semana de 22, Brancusi e a escultura moderna.

O que você defende, cidadão anônimo, é um paternalismo incivilizado que aceita e confere dignidade e valor a atos de vandalismo somente porque são feitos pelos "pobres" (muitas vezes quem destrói o patrimônio público são pilantras da classe-média). Mas isso é corrupção da pior espécie. É incentivar um comportamento irracional; é dar margem também para que os ricos faltem, por sua vez, com as suas obrigações de cidadão. Ser pobre não confere a ninguém o direito de danificar obras públicas, da mesma forma que ser rico não confere o privilégio de burlar as leis. O pior tipo de raciocínio é afirmar que só porque os ricos não obedecem as leis, então os pobres também tem o "direito" de não acatá-las. É um "raciocínio" que eu encontrei nas defensoras da descriminalização do aborto. O argumento é que, se as mulheres ricas abortam em clínicas especializadas e não sofrem coerção policial, as pobres tem o direito de também fazer o aborto sem serem processadas pelo seu crime. É um raciocío bizarro, que termina por legitimar condutas criminosas.

 

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